Creio que é possível classificar os seres vivos em dois grupos. O dos ativos e o dos reativos. Os reativos surgiram primeiro na escala evolucionária. Isso ocorreu já que os seres ativos comportam-se de uma maneira mais complexa, e, portanto, necessitaram de mais tempo de elaboração da mãe-natureza até aparecerem por aí.
Dessa forma quero primeiramente caracterizar os seres reativos. Ser reativo é aquele que reage aos mesmos estímulos, não importando se internos ou externos, sempre da mesma forma. Um exemplo seria uma planta. Se há luz então seu caule cresce em direção a ela. A planta não possui a capacidade decisória de, por exemplo, não crescer na direção da luz. Ela simplesmente cresce, e crescerá sempre que as condições físicas a permitirem. Assim podemos dizer que a planta reagiu ao estímulo da luz. Como todo o comportamento das plantas é reativo, podemos considerar que estas são seres reativos obrigatórios.
Os seres humanos, diferentemente das plantas, são seres ativos, embora isso não queira dizer que tenham abandonado completamente sua reatividade. A atividade humana consiste na capacidade de entreter ações genuínas. Tais ações seriam aquelas que surgem de dentro para fora, sem a necessidade de um estímulo específico. Ou ainda aquelas ações de resposta a estímulos, diferentes daquelas ações de resposta padronizadas e ditadas por seus instintos. Por exemplo, o ato de ser criativo é uma ação genuína, já que não é sempre igual e determinado. Isso pode ser percebido quando um tema de redação é dado para crianças e cada uma cria uma história diferente. Embora seja pouco provável, é evidente que existe a possibilidade de surgirem duas histórias iguais. Entretanto, se existe a possibilidade da diferença já pode ser caracterizada uma ação genuína.
Disse que os humanos não abandonaram a sua reatividade por completo. Gostaria de ilustrar isso com um exemplo. O reflexo que o médico promove em seus pacientes ao estimular suas patelas realizando o levantamento da perna, é um exemplo de reatividade. Entretanto, se fosse possível controlar-se e evitar isso, esta atitude seria uma ação genuína. Assim havendo as duas possibilidades nos humanos gostaria de chamá-los de seres ativos facultativos.
Me parece que o que permite aos seres humanos a possibilidade de desempenhar ações genuínas seria a memória. Em uma planta não existe uma memória a qual ela possa recorrer para, dessa forma, analisar um repertório de respostas possíveis e escolher a mais adequada. Se igualmente, nós não tivéssemos memória não poderíamos escolher tomar um caminho diferente do definido por nossos instintos.
Gostaria de ressaltar que usei como exemplos organismos muito distintos, seres humanos e plantas. Não me sinto capaz de julgar a atividade dos seres entre um e outro. Creio que para verificar a capacidade dos seres de desempenhar uma ação genuína seja necessário realizar experimentos expondo os seres sempre aos mesmos estímulos e observando suas respostas. Quero também chamar atenção para o fato de me parecer que não há seres ativos obrigatórios. Todos possuem um grau maior ou menor de reatividade, e é isso que determina sua autonomia ante seus instintos.
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
O Espelho
Com esse texto quero provar um ponto que creio estar certo embora seu enunciado seja muito controverso. Busco argumentar em favor da seguinte tese, quando não há observador não há imagem no espelho. Bom, antes de argumentar quero fazer uma ressalva. De modo algum busco com esse texto provar que a realidade como um todo depende de observadores para existir. Na minha concepção tal visão não é válida. O mundo não depende de nós para existir, nós pelo contrário, dependemos dele.
Para demonstrar essa questão devemos recorrer a um experimento mental. Imaginemos para esse fim que haja uma sala completamente vedada e opaca, da qual não sai luz interna e na qual não entra luz externa. Dentro dessa sala há uma lâmpada acesa presa por um fio no centro de seu teto. De modo que os únicos fótons presentes na sala são os emitidos por essa lâmpada. Uma das paredes da sala encontra-se toda coberta por um espelho. A distância do espelho a lâmpada permite que a luz emitida por esta chegue àquele e seja refletida de acordo com as leis que regem tal fenômeno. Além disso, há também, posicionada em frente à parede coberta pelo espelho, uma cadeira. A cadeira fará o papel do objeto que geraria a suposta imagem. Vejamos o que ocorre.
Tracemos o caminho da luz. A luz sai da lâmpada, parte dela vai de encontro à cadeira. Parte da luz é absorvida pela cadeira, outra parte, que consiste no feixe que representa a cor da cadeira, é refletida pela cadeira. Parte dessa luz sai da cadeira e se dirige ao espelho. Digamos que toda luz que sai da cadeira em direção ao espelho é refletida. Após ir de encontro ao espelho, devido ao fenômeno da reflexão, a luz sai do espelho em direção à cadeira, à lâmpada, às outras paredes, enfim, ao resto da sala.
Até este ponto parece que não há nada de controverso.
Porém nesta situação descrita já foi demonstrado meu ponto de vista. Ora, se a luz ao sair do espelho não encontra um sistema de lentes, seja de um ser vivo, seja de um aparelho que capte imagens, não ocorre a recepção dessa luz, e, portanto, não existe a formação da imagem do espelho. A imagem que vemos no espelho quando olhamos para ele é formada em nossas retinas. Se não há a intercepção do feixe luminoso que sai do espelho por um sistema captador de imagens, tal feixe segue sem formar imagem alguma. Indo de encontro à outra parede da sala, que por sua vez, não é um sistema captador de imagens.
Dessa forma, nessa situação não é formada imagem alguma. Embora não haja maneira empírica de comprovar tal proposição, creio ter me feito claro. Se não há um sistema que intercepte os raios de luz e partir disso forme uma imagem em seu interior, não há imagem. Assim, podemos concluir, que quando não há observador não há imagem no espelho.
Para demonstrar essa questão devemos recorrer a um experimento mental. Imaginemos para esse fim que haja uma sala completamente vedada e opaca, da qual não sai luz interna e na qual não entra luz externa. Dentro dessa sala há uma lâmpada acesa presa por um fio no centro de seu teto. De modo que os únicos fótons presentes na sala são os emitidos por essa lâmpada. Uma das paredes da sala encontra-se toda coberta por um espelho. A distância do espelho a lâmpada permite que a luz emitida por esta chegue àquele e seja refletida de acordo com as leis que regem tal fenômeno. Além disso, há também, posicionada em frente à parede coberta pelo espelho, uma cadeira. A cadeira fará o papel do objeto que geraria a suposta imagem. Vejamos o que ocorre.
Tracemos o caminho da luz. A luz sai da lâmpada, parte dela vai de encontro à cadeira. Parte da luz é absorvida pela cadeira, outra parte, que consiste no feixe que representa a cor da cadeira, é refletida pela cadeira. Parte dessa luz sai da cadeira e se dirige ao espelho. Digamos que toda luz que sai da cadeira em direção ao espelho é refletida. Após ir de encontro ao espelho, devido ao fenômeno da reflexão, a luz sai do espelho em direção à cadeira, à lâmpada, às outras paredes, enfim, ao resto da sala.
Até este ponto parece que não há nada de controverso.
Porém nesta situação descrita já foi demonstrado meu ponto de vista. Ora, se a luz ao sair do espelho não encontra um sistema de lentes, seja de um ser vivo, seja de um aparelho que capte imagens, não ocorre a recepção dessa luz, e, portanto, não existe a formação da imagem do espelho. A imagem que vemos no espelho quando olhamos para ele é formada em nossas retinas. Se não há a intercepção do feixe luminoso que sai do espelho por um sistema captador de imagens, tal feixe segue sem formar imagem alguma. Indo de encontro à outra parede da sala, que por sua vez, não é um sistema captador de imagens.
Dessa forma, nessa situação não é formada imagem alguma. Embora não haja maneira empírica de comprovar tal proposição, creio ter me feito claro. Se não há um sistema que intercepte os raios de luz e partir disso forme uma imagem em seu interior, não há imagem. Assim, podemos concluir, que quando não há observador não há imagem no espelho.
domingo, 20 de junho de 2010
A Criatividade
A criatividade sempre foi um processo que me deixou muito curioso. Afinal de contas sair por aí com uma novidade, em um universo tão antigo é realmente algo memorável.
Não querendo diminuir a importância da criatividade, mas sim, querendo descobrir seu lado oculto é que faço minha proposta nesse texto.
Acredito que tudo de novo que ocorre, é descoberto, ou inventado, de uma maneira ou de outra já estava por aqui. É certo que não da mesma forma como vem a ser no momento da sua criação. O que quero dizer é que os elementos básicos que constituem cada criação já estavam presentes no exato momento antes de sua concepção.
As novidades são quebra-cabeças de antiguidades. Um exemplo banal que me ocorre é o do Pégaso. Já se sabia o que era um cavalo e o que era um pato. Recortam-se as asas do pato, e as colam no lombo do cavalo. Pronto, temos um novo ser. Não deixa de ser inédito por isso, mas veio de conceitos anteriores.
Mesmo na filosofia todos os conceitos emergem de conceitos pré-existentes, que por sua vez surgem da vida cotidiana e refletem uma realidade anterior a tais ideias.
Na matemática a construção de novos teoremas válidos sempre deriva de outros teoremas igualmente válidos. Assim como na física, embora nessa o substrato principal seja a própria materialidade.
Pode-se argumentar em contrário no campo da matemática citando o Teorema da Incompletude de Gödel ¹. Não é uma boa saída. Não quero dizer aqui que não existem as “verdades de Gödel”². Isso seria ir contra tal teorema, já comprovado. O que quero dizer é que as candidatas a verdades não-comprováveis percebidas no teorema de Gödel só podem ser vislumbradas como possíveis teoremas a partir de um padrão perceptível nos entes sobre os quais o possível teorema discorre. Dessa forma a formulação dessas conjecturas (os possíveis teoremas) são derivadas de padrões pré-existentes, embora isso não implique a demonstrabilidade de seus enunciados.
Para fechar gostaria de citar Lavoisier que nos deu a famosa frase “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Creio que além do campo da química essa frase se estende para a criatividade já que tudo o que é criado ou é resultado da interpolação de seus antecedentes, ou, no plano conceitual, surge da observação de ideias pré-estabelecidas.
Notas: ¹ O Teorema da Incompletude de Gödel postula que os sistemas axiomáticos de base aritmética dos números inteiros (grande parte da matemática) ou são inconsistentes, o que quer dizer que levam a dedução de falsidades, ou são incompletos, isto é, haveria nesses sistemas proposições impossíveis de serem demonstradas dedutivamente. É importante ressaltar que esse é um “ou” exclusivo, o sistema não pode ser simultaneamente incompleto e inconsistente.
² “verdades de Gödel” é o nome que dei as verdades impossíveis de serem provadas sugeridas no Teorema da Incompletude. Em matemática uma suposta verdade ainda não comprovada chama-se conjectura, e uma já comprovada chama-se teorema.
Não querendo diminuir a importância da criatividade, mas sim, querendo descobrir seu lado oculto é que faço minha proposta nesse texto.
Acredito que tudo de novo que ocorre, é descoberto, ou inventado, de uma maneira ou de outra já estava por aqui. É certo que não da mesma forma como vem a ser no momento da sua criação. O que quero dizer é que os elementos básicos que constituem cada criação já estavam presentes no exato momento antes de sua concepção.
As novidades são quebra-cabeças de antiguidades. Um exemplo banal que me ocorre é o do Pégaso. Já se sabia o que era um cavalo e o que era um pato. Recortam-se as asas do pato, e as colam no lombo do cavalo. Pronto, temos um novo ser. Não deixa de ser inédito por isso, mas veio de conceitos anteriores.
Mesmo na filosofia todos os conceitos emergem de conceitos pré-existentes, que por sua vez surgem da vida cotidiana e refletem uma realidade anterior a tais ideias.
Na matemática a construção de novos teoremas válidos sempre deriva de outros teoremas igualmente válidos. Assim como na física, embora nessa o substrato principal seja a própria materialidade.
Pode-se argumentar em contrário no campo da matemática citando o Teorema da Incompletude de Gödel ¹. Não é uma boa saída. Não quero dizer aqui que não existem as “verdades de Gödel”². Isso seria ir contra tal teorema, já comprovado. O que quero dizer é que as candidatas a verdades não-comprováveis percebidas no teorema de Gödel só podem ser vislumbradas como possíveis teoremas a partir de um padrão perceptível nos entes sobre os quais o possível teorema discorre. Dessa forma a formulação dessas conjecturas (os possíveis teoremas) são derivadas de padrões pré-existentes, embora isso não implique a demonstrabilidade de seus enunciados.
Para fechar gostaria de citar Lavoisier que nos deu a famosa frase “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Creio que além do campo da química essa frase se estende para a criatividade já que tudo o que é criado ou é resultado da interpolação de seus antecedentes, ou, no plano conceitual, surge da observação de ideias pré-estabelecidas.
Notas: ¹ O Teorema da Incompletude de Gödel postula que os sistemas axiomáticos de base aritmética dos números inteiros (grande parte da matemática) ou são inconsistentes, o que quer dizer que levam a dedução de falsidades, ou são incompletos, isto é, haveria nesses sistemas proposições impossíveis de serem demonstradas dedutivamente. É importante ressaltar que esse é um “ou” exclusivo, o sistema não pode ser simultaneamente incompleto e inconsistente.
² “verdades de Gödel” é o nome que dei as verdades impossíveis de serem provadas sugeridas no Teorema da Incompletude. Em matemática uma suposta verdade ainda não comprovada chama-se conjectura, e uma já comprovada chama-se teorema.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Tristeza do Bem
A tristeza é vista pelo senso comum como um sentimento ruim e nocivo a qualquer indivíduo. Tal conclusão faz sentido, afinal de contas é uma emoção que surge nos momentos de dor e sofrimento da vida. Entretanto, não se pode considerar a tristeza como um estado de espírito unicamente negativo. Ela tem uma razão de existir e, portanto, sob um certo ponto de vista pode ser considerada benéfica.
Primeiramente, pode-se perceber o valor da tristeza no que tange ao campo das escolhas pessoais. Todas as escolhas feitas por uma pessoa partem de sua própria valoração da realidade, e de como uma realidade a faz se sentir. Ao escolher uma profissão, e ao final de um dia de trabalho sentir-se triste é sinal de que se fez uma má escolha. Isso também vale para relacionamentos, e qualquer outro tipo de escolha. A tristeza funciona como um “termômetro” das decisões que se toma. Quando são negativas ela surge indicando que aquele não é o melhor caminho a se seguir. Sem ela ficaríamos desnorteados sem saber se algo nos prejudica.
Além disso, também deve-se dar destaque para a importância da tristeza no reconhecimento da felicidade. São estados emocionais interdependentes. È somente por meio da oposição entre um e outro que se pode identificá-los. A felicidade só passa a ser positiva a partir do momento em que se opõe à tristeza. Quando encontra-se em um estado constante, esse é banalizado e perde sua valoração. Um individuo só passa a valorizar a sua capacidade de andar se em algum momento torna-se paralítico. Não que andar não fosse positivo antes, já que era. Entretanto, isso só pôde ser percebido a partir do momento no qual sofreu o contraste e deixou de ser banal.
Dessa maneira pode-se concluir o quão importante e benéfica pode ser a tristeza. Sem ela nos submeteríamos à situações prejudiciais, sem notar, o que apenas as agravaria mais. Sem contar com o fato de que é a tristeza que dá dimensão à felicidade. Permitindo a não-banalização dos sentimentos e, por conseguinte gerando uma busca por sentimentos melhores. Ao contrário do que diz o senso comum a tristeza não é de todo má, e sim ajuda-nos a sermos mais felizes.
Primeiramente, pode-se perceber o valor da tristeza no que tange ao campo das escolhas pessoais. Todas as escolhas feitas por uma pessoa partem de sua própria valoração da realidade, e de como uma realidade a faz se sentir. Ao escolher uma profissão, e ao final de um dia de trabalho sentir-se triste é sinal de que se fez uma má escolha. Isso também vale para relacionamentos, e qualquer outro tipo de escolha. A tristeza funciona como um “termômetro” das decisões que se toma. Quando são negativas ela surge indicando que aquele não é o melhor caminho a se seguir. Sem ela ficaríamos desnorteados sem saber se algo nos prejudica.
Além disso, também deve-se dar destaque para a importância da tristeza no reconhecimento da felicidade. São estados emocionais interdependentes. È somente por meio da oposição entre um e outro que se pode identificá-los. A felicidade só passa a ser positiva a partir do momento em que se opõe à tristeza. Quando encontra-se em um estado constante, esse é banalizado e perde sua valoração. Um individuo só passa a valorizar a sua capacidade de andar se em algum momento torna-se paralítico. Não que andar não fosse positivo antes, já que era. Entretanto, isso só pôde ser percebido a partir do momento no qual sofreu o contraste e deixou de ser banal.
Dessa maneira pode-se concluir o quão importante e benéfica pode ser a tristeza. Sem ela nos submeteríamos à situações prejudiciais, sem notar, o que apenas as agravaria mais. Sem contar com o fato de que é a tristeza que dá dimensão à felicidade. Permitindo a não-banalização dos sentimentos e, por conseguinte gerando uma busca por sentimentos melhores. Ao contrário do que diz o senso comum a tristeza não é de todo má, e sim ajuda-nos a sermos mais felizes.
domingo, 9 de maio de 2010
Essência da dor
Antes de qualquer coisa gostaria de colocar duas definições. Primeiramente quero dizer que a essência de um objeto é aquilo que se é posto, o objeto também é posto, e se é retirado o objeto é igualmente retirado, e, além disso, a essência não pode ser externa ao objeto. Em segundo lugar vou copiar a definição do termo latino, e filosófico, qualia, da Wikipédia. Ela diz assim: Qualia [singular: quale, em latim e português]. Termo filosófico que define as qualidades subjetivas das experiências mentais. Por exemplo, a vermelhidão do vermelho, ou o doloroso da dor.
Agora posso explicar em que consiste a teoria dos qualia invertidos, vamos lá. Suponhamos que você veja um morango e tenha aprendido que a cor dele é vermelha, por isso o chama de morango vermelho. Eu aprendi da mesma forma e por isso também o chamo de morango vermelho. No entanto o meu quale, isso é a cor que eu experimento quando vejo o morango, é o seu quale que você experimenta quando vê um limão. Ou seja, nós temos qualia invertidos. O que eu vejo como vermelho você vê como verde, mas ambos aprendemos a chamá-lo de vermelho. É uma estranha possibilidade.
Lembrando que os qualia valem para experiências mentais em geral, eles incluem a dor. Então o que aconteceria se colocássemos a dor na possibilidade dos qualia invertidos? O que eu chamo de dor você poderia dizer que são cócegas, mas pela impossibilidade de transmitir a sensação, não se percebe a diferença. Logo surge a pergunta: Qual é a essência da dor?
Bom, pela definição de essência não podemos recorrer ao que a dor provoca como gemidos e choros para identificar sua essência, já que esses são externos a ela. Além do fato de que é possível fingir a dor com gemidos e choros sem sentir dor alguma. Logo esses não são sua essência. Poderíamos pensar então: Ah, já sei, a essência da dor é o seu quale! Mas então aparece uma possibilidade estranha, acompanhe. Se a essência da dor é o seu quale, e se por acaso for verdadeira a teoria dos qualia invertidos então a essência da dor seria exclusiva para cada indivíduo.
Dessa maneira a teoria dos qualia invertidos cai por terra. Porque se a essência da dor fosse diferente para cada um, aconteceria o seguinte: Pondo-se a essência da sua dor para mim eu sentiria cócegas, por exemplo, e se retirasse eu deixaria de sentir cócegas. A dor nem dá as caras. Então essa não seria a essência da dor. Pode-se argumentar que não seria a essência da minha dor. Mas então surgiria um impasse: a dor como a entendemos não teria essência. Não haveria uma unificação de conceitos para que todos pudéssemos chamar de dor a mesma coisa, e ela seria então múltipla. Apesar disso nos comunicamos a respeito dela e nos entendemos.
Bom, ou a dor é múltipla e não tem essência, ou a teoria dos qualia invertidos é furada. Decidam por si próprios, em todo caso eu prefiro a segunda opção.
Agora posso explicar em que consiste a teoria dos qualia invertidos, vamos lá. Suponhamos que você veja um morango e tenha aprendido que a cor dele é vermelha, por isso o chama de morango vermelho. Eu aprendi da mesma forma e por isso também o chamo de morango vermelho. No entanto o meu quale, isso é a cor que eu experimento quando vejo o morango, é o seu quale que você experimenta quando vê um limão. Ou seja, nós temos qualia invertidos. O que eu vejo como vermelho você vê como verde, mas ambos aprendemos a chamá-lo de vermelho. É uma estranha possibilidade.
Lembrando que os qualia valem para experiências mentais em geral, eles incluem a dor. Então o que aconteceria se colocássemos a dor na possibilidade dos qualia invertidos? O que eu chamo de dor você poderia dizer que são cócegas, mas pela impossibilidade de transmitir a sensação, não se percebe a diferença. Logo surge a pergunta: Qual é a essência da dor?
Bom, pela definição de essência não podemos recorrer ao que a dor provoca como gemidos e choros para identificar sua essência, já que esses são externos a ela. Além do fato de que é possível fingir a dor com gemidos e choros sem sentir dor alguma. Logo esses não são sua essência. Poderíamos pensar então: Ah, já sei, a essência da dor é o seu quale! Mas então aparece uma possibilidade estranha, acompanhe. Se a essência da dor é o seu quale, e se por acaso for verdadeira a teoria dos qualia invertidos então a essência da dor seria exclusiva para cada indivíduo.
Dessa maneira a teoria dos qualia invertidos cai por terra. Porque se a essência da dor fosse diferente para cada um, aconteceria o seguinte: Pondo-se a essência da sua dor para mim eu sentiria cócegas, por exemplo, e se retirasse eu deixaria de sentir cócegas. A dor nem dá as caras. Então essa não seria a essência da dor. Pode-se argumentar que não seria a essência da minha dor. Mas então surgiria um impasse: a dor como a entendemos não teria essência. Não haveria uma unificação de conceitos para que todos pudéssemos chamar de dor a mesma coisa, e ela seria então múltipla. Apesar disso nos comunicamos a respeito dela e nos entendemos.
Bom, ou a dor é múltipla e não tem essência, ou a teoria dos qualia invertidos é furada. Decidam por si próprios, em todo caso eu prefiro a segunda opção.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Limite do Eu
Somos todos partes indissociáveis da realidade. Somos compostos dos mesmos elementos que os outros entes que existem, materialmente. Ainda assim, conseguimos de alguma maneira nos destacar do todo, da natureza. Conseguimos perceber a nossa existência singular e individual. Poderia se argumentar que o que nos faz perceber nossa individualidade são os sentidos. Acho pouco. Quando se participa de um processo extremamente catártico como um concerto de música ou um jogo de futebol, a multidão que se forma tem vida própria. Reage junta aos acontecimentos que observa. Por um momento cada integrante dela esquece-se de si e torna-se apenas uma parte da massa, indistinto dela. Nesse instante especial perde-se a noção do Eu. E apesar disso os sentidos não estão suspensos. Contrariamente, estão ativos e exercendo um papel importante nessa comunhão. O que faz com que se perceba a existência do Eu separado da realidade é a consciência. Defino para este fim, a consciência como sendo a percepção das percepções. A capacidade de perceber o que se sente. Na massa apenas há a percepção seguida imediatamente pela reação provocada por ela. Não há uma ponderação antes do agir. Enquanto que fora dessa comunhão o indivíduo tem noção de suas percepções e por isso pode ordenar suas atitudes. Logo ter a consciência do Eu é perceber o que se sente podendo dessa forma delimitar-se. O indivíduo termina a partir do ponto em que seus sentidos são suprimidos, ou seja, além de seu corpo. Assim percebe a sua fronteira. Se não há a consciência o indivíduo apenas percebe, deixando dessa forma de perceber suas percepções, e, portanto a si mesmo.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Porque estudar filosofia
Meu objetivo com esse texto é como diz o título, expor alguns argumentos em defesa do estudo de filosofia. Em primeiro lugar creio que seja importante por um motivo que a filosofia compartilha com qualquer área do conhecimento. Aprender filosofia fortalece a bagagem cultural do estudante. É uma parte enorme da história e da construção dos conceitos da sociedade que não pode ser deixada de lado. Além disso, é preciso lembrar que o surgimento da filosofia remete a algo extremamente essencial. A dúvida. O questionamento da realidade então estabelecida. Se não houvesse questionamento estaríamos presos ao paleolítico. É a dúvida, a proposição de hipóteses e novas teorias que nutre a evolução do conhecimento e da tecnologia imprescindíveis à qualidade de vida humana. Devemos instigar os alunos para que perguntem, questionem, discordem, debatam. Só assim poderemos formar indivíduos críticos, essenciais na construção e manutenção de um país mais justo.
domingo, 16 de agosto de 2009
O que nos torna humanos ou porque falamos
Estou há algum tempo querendo vomitar este texto, vamos ver como é que ele fica.
O homem é um bicho que faz promessas, é um bicho que faz trocas, é um bicho que fala. Mas antes disso tudo há uma capacidade humana.
Essa é a capacidade de abstração e tenho um chute sobre de onde ela surge. Como definiu Aristóteles, o homem é um ser social. Como conectar isso a abstração? Simples. Por meio da empatia, da capacidade de compreensão de como o outro se sente.
O que quero dizer é que, o que nos torna de fato humanos é a capacidade de percepção da alteridade. Deixem-me ser mais claro. A capacidade de reconhecer o outro. Colocando-se em seu lugar.
A fala só se desenvolveu por dois motivos. Pela existência do amor e pela existência da empatia. O Homem precisou consolar um amigo ou uma mulher, sem ter visto o que havia ocorrido a ele ou a ela. Isso o impedia de dar uma resposta em forma de reflexo. A linguagem surge num momento de extremo amor onde o amante precisa consolar o amado. É nessas horas até os dias de hoje é que curiosamente faltam-nos as palavras. A palavra é a distração, um tipo diferente de consolo, ou para isso é que ela foi projetada.
Infelizmente esse é um valor aprendido. A compaixão deve ser reforçada e passada adiante, enquanto isso não ocorrer continuarão a tomar forma e proporção as bárbaries de todo o tipo. O que curiosamente chamamos de atos desumanos.
O homem é um bicho que faz promessas, é um bicho que faz trocas, é um bicho que fala. Mas antes disso tudo há uma capacidade humana.
Essa é a capacidade de abstração e tenho um chute sobre de onde ela surge. Como definiu Aristóteles, o homem é um ser social. Como conectar isso a abstração? Simples. Por meio da empatia, da capacidade de compreensão de como o outro se sente.
O que quero dizer é que, o que nos torna de fato humanos é a capacidade de percepção da alteridade. Deixem-me ser mais claro. A capacidade de reconhecer o outro. Colocando-se em seu lugar.
A fala só se desenvolveu por dois motivos. Pela existência do amor e pela existência da empatia. O Homem precisou consolar um amigo ou uma mulher, sem ter visto o que havia ocorrido a ele ou a ela. Isso o impedia de dar uma resposta em forma de reflexo. A linguagem surge num momento de extremo amor onde o amante precisa consolar o amado. É nessas horas até os dias de hoje é que curiosamente faltam-nos as palavras. A palavra é a distração, um tipo diferente de consolo, ou para isso é que ela foi projetada.
Infelizmente esse é um valor aprendido. A compaixão deve ser reforçada e passada adiante, enquanto isso não ocorrer continuarão a tomar forma e proporção as bárbaries de todo o tipo. O que curiosamente chamamos de atos desumanos.
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