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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Tristeza do Bem

A tristeza é vista pelo senso comum como um sentimento ruim e nocivo a qualquer indivíduo. Tal conclusão faz sentido, afinal de contas é uma emoção que surge nos momentos de dor e sofrimento da vida. Entretanto, não se pode considerar a tristeza como um estado de espírito unicamente negativo. Ela tem uma razão de existir e, portanto, sob um certo ponto de vista pode ser considerada benéfica.
Primeiramente, pode-se perceber o valor da tristeza no que tange ao campo das escolhas pessoais. Todas as escolhas feitas por uma pessoa partem de sua própria valoração da realidade, e de como uma realidade a faz se sentir. Ao escolher uma profissão, e ao final de um dia de trabalho sentir-se triste é sinal de que se fez uma má escolha. Isso também vale para relacionamentos, e qualquer outro tipo de escolha. A tristeza funciona como um “termômetro” das decisões que se toma. Quando são negativas ela surge indicando que aquele não é o melhor caminho a se seguir. Sem ela ficaríamos desnorteados sem saber se algo nos prejudica.
Além disso, também deve-se dar destaque para a importância da tristeza no reconhecimento da felicidade. São estados emocionais interdependentes. È somente por meio da oposição entre um e outro que se pode identificá-los. A felicidade só passa a ser positiva a partir do momento em que se opõe à tristeza. Quando encontra-se em um estado constante, esse é banalizado e perde sua valoração. Um individuo só passa a valorizar a sua capacidade de andar se em algum momento torna-se paralítico. Não que andar não fosse positivo antes, já que era. Entretanto, isso só pôde ser percebido a partir do momento no qual sofreu o contraste e deixou de ser banal.
Dessa maneira pode-se concluir o quão importante e benéfica pode ser a tristeza. Sem ela nos submeteríamos à situações prejudiciais, sem notar, o que apenas as agravaria mais. Sem contar com o fato de que é a tristeza que dá dimensão à felicidade. Permitindo a não-banalização dos sentimentos e, por conseguinte gerando uma busca por sentimentos melhores. Ao contrário do que diz o senso comum a tristeza não é de todo má, e sim ajuda-nos a sermos mais felizes.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Da diferença entre sexo e gênero

Semana passada estava eu assistindo ao programa de entrevistas da Marília Gabriela, como tenho por hábito assistir todos os domingos. Nesse dia foi ao ar a entrevista de um Neuro-psiquiatra, Paulo Mattos, que falou sobre TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), o antigo DDA (déficit de atenção).
Em certo momento da entrevista ele comentou que tal transtorno se manifesta diferentemente em cada gênero, sendo o sintoma da hiperatividade mais relevante em homens. Foi então que eu pensei que em se tratando de uma questão médica a palavra mais correta deveria ser sexo, e não gênero.
Ao pesquisar na Wikipédia pude perceber que minha intuição estava correta. Não é de todo errado usar gênero e sexo para falar da mesma coisa, entretanto há uma diferença basal em seus significados. De maneira nenhuma quero colocar o erro do entrevistado, a entrevista foi excelente. Principalmente pela didática do médico-professor que nos deu uma dimensão correta do que ele buscava descrever.
Sexo seria a categoria biológica que separa os indivíduos vivos em: masculino, feminino e hermafrodita. Isso é delimitado por seus órgãos sexuais, e os tipos de gametas que produzem. No caso humano não há hermafroditas verdadeiros.
Gênero seria uma categoria mais social, que se refere mais aos papéis sociais desempenhados por casa sexo. É evidente que se uma mulher exerce uma função consagrada por um homem e vice-versa não se muda o gênero gramatical ao tratar com ela ou ele. Entretanto é dessa forma que se caracteriza o gênero enquanto termo social.
É da minha opinião que os gêneros sociais tendem a cada vez mais se confundir com a queda dos preconceitos, e entrada da mulher no mercado de trabalho. De qualquer forma ainda hoje essa divisão é válida por abarcar boa parte da população.
Encerro esse texto colocando algumas questões que o tema me impôs. Qual o gênero de travestis? Qual o sexo de pessoas que passaram pela mudança do mesmo? Pode-se considerar que realmente mudou?
Bom por hora era isso, apenas um esclarecimento sobre a diferença entre dois termos próximos e algumas questões para se ponderar.

domingo, 2 de maio de 2010

Quebrando o preconceito

Há um certo provérbio chinês que diz mais ou menos assim : “O burro não aprende com os próprios erros, o inteligente aprende com os próprios erros, e o sábio, aprende com os erros dos outros.” A mensagem que esse dito transmite me faz considerar o quão importante é lidar sem problema com pessoas de todos os tipos.
Ora, todos queremos um pouco de sabedoria em nossas vidas. E convenhamos, não somos oniscientes. Para que possamos ter acesso aos erros e acertos dos outros, e dessa forma consigamos aprender e melhorar nossas próprias atitudes, devemos nos relacionar com eles.
Todo indivíduo, não importa sua classe social, etnia, religião, sexo ou opção sexual, tem uma história única.
Cada um tem suas experiências e carrega consigo a lição que pôde tirar delas. Lidar com qualquer pessoa é sempre enriquecedor afinal sempre há uma situação nova a qual você não conhece e pela qual pode passar um dia.
Sem contar com o fato de que ouvindo diferentes pontos de vista, muitos dos quais você jamais conceberia, é possível ter uma visão holística do todo. O que facilita muito as coisas. Uma compreensão geral permite o melhor entendimento das partes, com as quais lidamos diariamente.
Fiz esse texto só para colocar mais um argumento que creio quebrar os preconceitos. Sendo preconceituoso só se tem mesmo a perder. Além de estar errado e poder ir preso, você deixa de aprender como todos tem a contribuir entre si, criando um bem geral.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mal Acostumados

Nos acostumamos a poluição,
e ao aquecimento global

Nos acostumamos ao crime,
ao assalto

Nos acostumamos a corrupção,
e à diferença social

Nos acostumamos aos muitos deveres,
e aos poucos direitos

Nos acostumamos à exploração,
e à falta de hospital

Nos acostumamos à esmola,
e à falta de escola

Nos acostumamos ao desmatamento,
e ao preconceito

Nos acostumamos à miséria,
e à falta de respeito

Nos acostumamos aos animais em extinção,
nos acostumamos ao circo sem pão

Nos acostumamos com tudo,
tudo que há de errado no mundo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Todo

Fragilizado,
em cacos,
frangalhos,
farrapos,
migalhas.
Pedaços,
dissociados.

um todo
que é todo
mas não se
reconhece todo
por isso se divide
se espalha e setoriza
esse todo é todo errado
porque não percebe que sendo
todo é todo e como todo é de suas
partes completamente indissociável
por isso venho a todos dizer que todos
somos partes de um mesmo todo e somos
um só todo, e por isso, todos, unidos até depois
da morte, casados ou solteiros, brancos, japas, negros
índios, machos viados, lésbicas, bis, cristãos, judeus muçulmanos
indiscriminadamente partes indissociáveis do mesmo todo, que é de todos.

domingo, 9 de agosto de 2009

O que valorizar?

Eu tu ele nós vós eles
juntem todas as pessoas
todas as pessoas do discurso
que o discurso hoje é na praça
que o discurso hoje é profundo

Quero que saibam todos
eu tu eles nós vós eles saibam
deste importante comunicado
foi ferido um leão, um tigre morto
e um homem, ‘inda moço, crucificado.

o homem crucificado destes três,
é o de menos... mas o leão ferido,
deixa o rancor tomar partido,
e devora seus algozes, num
rompante de fúria sem pudor!

O tigre morto deixa família.
Tigresa e tigrezinhos sem teto,
todos descalços, e esses a seus
algozes vem pedir abrigo, comida
caridade, ajuda, pensão alimentícia

o homem crucificado, esse, morreu.
Não há lágrima derramada por ele.
Nem de nobre, nem de pobre, plebeu
quedou sozinho na cruz, nu, morto.

e a vida o rumo segue,
o leão apaziguado,
os tigrezinhos amamentados,
e o homem moço,
’inda crucificado.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Formigueiro

Formigueiro , coisa engraçada, pensem. Pensem num formigueiro. Não vão pensar em botar fogo nele. Nem pensem em chamar o dedetizador. O formigueiro toma agora, nesse texto, uma nova acepção. Em dizeres claros vou dizer formigueiro para dizer coletivo. Formigueiro para comunidade. Formigueiro para nação. Formigueiro para ajuda mútua e inter-dependente com outros formigueiros, quiçá colméias. Digo isso para dizer que o brasileiro seja operário, seja rainha, ou seja soldado, ele não percebe o formigueiro em que vive. Crê na ilusória e insólita certeza de que seus atos não afetam os demais. Afetam muito. Se há algum curioso que busca justificativa ela se segue aqui. Todas as formigas operárias alimentam a si mesmas, aos soldados e a rainha. E se uma formiga operária deixar de fazer o seu papel? Teremos uma liderança frágil, e um futuro incerto, afinal é da rainha que nascem as larvas, que são o futuro do formigueiro. E seremos presas fáceis às aranhas já que temos soldados menos alimentados. E se o soldado deixar de fazer o seu papel? Nossa raninha será atacada e não teremos uma nova geração de formigas. Caso essa não venha a ser atacada diretamente, de certo as operárias que a alimentam serão, e indiretamente o sucesso do formigueiro será comprometido. Se não há rainha o formigueiro perde seu sentido, seu rumo. Que é exatamente manter viva a rainha para prosperarem os formigueiros que surjam dela. Brasleiros, eu lhes peço não sejam a formiga preguiçosa, e não deixem aqueles a sua volta o serem. Se isso acontecer ou a aranha ou o dedetizador nos achará, e pior, nos achará indefesos.


quarta-feira, 22 de julho de 2009

diálogo musicado entre patrão e empregado

Que tenebrosa visão,
que monstro aterrador!
Qual temível aberração
incomoda vosso rei e senhor?

Peço que me trates bem.
Não sabes, mas sou de grande valia
desprezas-me, só porque tem
em ouro grande quantia?

Pois saibas que no ouro
é que reside todo o poder,
é passado o tempo dos louros,
dos nobres a de terras viver.

De passado tratemos outrora.
O presente por si é propício,
para conversa mais sonora.
Se ao rei não for sacrifício.

Contes-me de pronto bruta besta
qual grande tema o traz até mim.
Todo meu tempo não é festa,
e tu não és feito de marfim!

O ganho que aqui faço
o meu sustento traz não
Já não tenho força no braço
Venho a ti pedir mais pão

Veja só que ousadia!
Não tens força muscular,
e vens em plena luz do dia
a sua deficiência me cobrar!

Sabes, sem minha labuta
não manténs vosso capital
precisas deste coberto de juta
deste reles serviçal

Como tu muitos tenho
na fábrica ao pé do portão
se comportas-te tão ferrenho
Vá embora, é a melhor solução.

Vou e vou de cabeça erguida
Apenas triste por não ter pão
Quero que saibas que minha vida
melhora com o fim de tanta opressão.